Redes informais nas organizações: o que o organograma não mostra
- rhphenomena
- há 3 horas
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Em muitas empresas, o organograma é visto como o retrato da organização. Ele define cargos, hierarquias e linhas de reporte, oferecendo uma representação clara da estrutura formal. No entanto, quem vive o dia a dia corporativo sabe que o funcionamento real de uma empresa vai muito além dessas linhas e caixas.

Decisões importantes, troca de conhecimento e resolução de problemas frequentemente acontecem por meio de relações informais entre pessoas, atravessando áreas, níveis hierárquicos e funções. Essas conexões invisíveis formam redes que sustentam o fluxo de informação e colaboração dentro das organizações.
Compreender essas redes é fundamental para entender como o trabalho realmente acontece e como as empresas podem melhorar desempenho, inovação e colaboração.
Por que o organograma não revela como o trabalho realmente acontece
O organograma representa a estrutura formal da empresa. Ele mostra quem responde a quem, quais são as áreas existentes e como as responsabilidades estão distribuídas.
No entanto, ele não mostra:
• quem de fato exerce influência nas decisões • quem faz a ligação entre diferentes áreas • quem é buscado quando aparece um problema • de que forma o conhecimento circula entre as pessoas
Na prática, muitos processos organizacionais dependem de relações consolidadas ao longo do tempo, baseadas em confiança, experiência e colaboração espontânea.
Essas relações formam aquilo que muitos estudiosos chamam de redes informais organizacionais.
O que são redes informais dentro das empresas
Redes informais são os padrões reais de relacionamento que se estabelecem entre profissionais dentro de uma organização.
Elas surgem naturalmente a partir de fatores como:
Troca de conhecimento Profissionais procuram pessoas que possuem experiência ou conhecimento específico para resolver desafios do trabalho.
Influência profissional Algumas pessoas tornam-se referências dentro da organização, influenciando decisões e direcionamentos mesmo sem ocupar cargos formais de liderança.
Confiança entre profissionais Relações construídas com base em confiança facilitam a cooperação, o compartilhamento de informações e a resolução de problemas.
Essas redes são fundamentais para o funcionamento do sistema organizacional, mesmo quando não aparecem na estrutura formal.
O papel das redes na circulação do conhecimento
Nas organizações contemporâneas, grande parte do conhecimento relevante é tácito, ou seja, não está completamente documentado em processos ou manuais. Ele circula por meio da interação entre pessoas.
Esse fenômeno foi amplamente discutido por pesquisadores como Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi, que demonstraram como o conhecimento nas empresas emerge das interações sociais e da troca de experiências.
Quando essas redes funcionam bem, o conhecimento circula com mais rapidez e qualidade. Quando estão fragmentadas ou isoladas, o fluxo de informação se torna lento e ineficiente.
Organizational Network Analysis: compreendendo as redes invisíveis
Para entender essas dinâmicas, surgiu uma abordagem conhecida como Organizational Network Analysis (ONA).
A ONA é um método utilizado para mapear e analisar as relações reais de colaboração dentro das organizações. Em vez de observar apenas estruturas formais, ela busca identificar como as pessoas realmente se conectam para realizar o trabalho.
Empresas globais utilizam esse tipo de análise para:
• identificar nós de influência dentro da organização • entender fluxos de conhecimento entre áreas e equipes • detectar silos organizacionais que dificultam a colaboração • melhorar o engajamento e a cooperação entre profissionais
Essas análises ajudam líderes e equipes de gestão de pessoas a compreender melhor a dinâmica interna das organizações e a tomar decisões mais alinhadas com a realidade do trabalho.
Como essas redes afetam desempenho e clima organizacional
A qualidade das conexões entre profissionais influencia diretamente diversos aspectos do ambiente organizacional.
Entre eles:
• velocidade de resolução de problemas • capacidade de inovação • colaboração entre áreas • engajamento das equipes • circulação de conhecimento
Em muitas situações, uma rede de colaboração bem estabelecida permite que equipes resolvam desafios complexos com rapidez, mesmo em estruturas organizacionais grandes ou hierárquicas.
Por outro lado, quando essas conexões são frágeis ou fragmentadas, surgem dificuldades de comunicação, isolamento entre áreas e perda de eficiência.
Como o RH pode observar e fortalecer essas conexões
Embora nem sempre seja possível mapear formalmente todas as redes existentes, o RH pode observar sinais importantes no funcionamento cotidiano da organização.
Entre eles:
• profissionais que conectam diferentes áreas • pessoas frequentemente procuradas para orientação técnica • grupos informais que compartilham conhecimento • pontos de isolamento ou falta de comunicação
Compreender essas dinâmicas permite que a gestão de pessoas desenvolva iniciativas que estimulem colaboração, troca de conhecimento e integração entre equipes.
Para quem deseja aprofundar o tema
O estudo das redes organizacionais tem crescido significativamente nas últimas décadas. Diversos pesquisadores e instituições têm contribuído para o avanço desse campo.
Entre as principais referências estão:
• Rob Cross (Babson College), um dos principais pesquisadores sobre redes organizacionais e colaboração nas empresas • MIT Sloan School of Management, com estudos sobre dinâmica organizacional e inovação
• INSEAD, que desenvolve pesquisas sobre liderança, colaboração e comportamento organizacional
• Harvard Business School, que investiga estruturas de influência e tomada de decisão nas organizações
Livros, artigos acadêmicos e pesquisas dessas instituições oferecem uma visão aprofundada sobre como as redes de relacionamento moldam o funcionamento das empresas modernas.
A visão da Phenomena
Na prática organizacional, compreender pessoas e relações é tão importante quanto compreender processos e estruturas.
O organograma continua sendo uma ferramenta importante de organização e governança. No entanto, a realidade do trabalho acontece nas interações cotidianas entre profissionais, onde conhecimento, confiança e colaboração circulam de forma dinâmica.
Para a Phenomena, avaliar e compreender essas relações é essencial para fortalecer culturas organizacionais saudáveis, ambientes de trabalho colaborativos e processos de gestão de pessoas mais alinhados com a complexidade das organizações contemporâneas.





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